1993 O Começo

15 maio, 2015 por

1993 O Começo

Muitos poderiam se perguntar! Quem é esse cara escrevendo sobre pombos? Eu nunca ouvi falar dele!

 

Bom esse cara que vos escreve, vem de uma família pobre do interior do estado do Rio de Janeiro, que desde a infância sempre foi apaixonado por tudo que tivesse asas e sempre que podia estava nas bancas de jornal comprando algum gibi ou revista que falasse sobre aviões da 2ª guerra, eu riscava o desenho deles em uma folha de papel, recortava, dobrava e colava, montando modelos em miniatura para brincar, foi em uma destas revistas que li pela primeira vez as façanhas dos pombos-correio.

 

Gostava muito de passarinhos, mas queria tê-los soltos, não consegui isso com nenhum a não ser com os pombos, lógico que naquela época eram pombos comuns, não haviam pombos-correio na minha cidade, pelo menos eu não sabia que haviam. Me lembro que quando ia para a escola de manhã bem cedo, via um bando de pombos voando bem alto, mas naquela época não descobri onde eles pousavam.

 

Depois de muito procurar e não encontrar nenhum pombo-correio decidi aos quatorze anos acabar com os pombos que tinha e fiz um voto que só voltaria a criar o dia que encontrasse um pombo-correio de verdade.

 

Anos se passaram, casei, tive uma filha em maio de 93 e naquele ano, treze anos depois, com vinte e sete anos de idade, trabalhando em uma empreiteira da Petrobras na manutenção dos aparelhos de ar condicionado central, no dia do meu aniversário, quando já me preparava para sair no fim do expediente, um colega que trabalhava comigo veio correndo me dar uma notícia. Márcio, tem um pombo no chão lá da torre do prédio C, ele não está bem não, como eu sei que você gosta dessas coisas eu vim correndo te contar antes de você sair, ele tem um negócio no pé… Eu nem deixei ele terminar de falar, é um correio! Gritei! Saí correndo para pegar a última Kombi para aquele setor que ficava a dois quilômetros de onde eu estava, gritei o motorista que já ia passando, cheguei no prédio, subi na torre e cuidadosamente levantei a tampa do alçapão, lá estava ela, uma fêmea escama com uma anilha em cada pé, toda muada, encolhida num canto.

 

Então pensei, como vou fazer para pegá-la, assim que tentar me aproximar ela vai voar, não tem jeito, vou ter de arriscar, afinal não tenho nada aqui que possa usar para captura-la. Levantei a tampa cuidadosamente, me aproximei bem devagar e peguei-a sem o menor esforço, ela mal fez menção em se esquivar, estava muito fraca e magra. Saí feliz da vida, correndo para pegar a mesma Kombi de volta, senão teria de fazer todo aquele percurso a pé e com certeza perderia meu ônibus de volta pra casa.

 

Bem, no meio do caminho mesmo comecei a investigar o que havia escrito naquelas anilhas, uma era branca e trazia alguns números, 16635/89 e entre eles duas letras “BR”, a outra era preta, mas não tinha nada escrito, pelo menos à primeira vista. Ao chegar em casa percebi que a anilha preta na verdade era uma fita isolante que a cobria, qual não foi a minha satisfação ao retirar esta cobertura e desvendar uma anilha personalizada em alumínio que trazia o nome e o endereço do dono da ave, que ficava em Jacarepaguá na capital do estado, cerca de 200 quilômetros de distância, pena não haver um número de telefone. Mais que depressa escrevi uma carta ao proprietário informando do infortúnio, para saber o que fazer com a ave, afinal ela não tinha a menor condição de voo para que eu pudesse soltá-la, esperei por semanas e nenhuma resposta, enviei outra carta, mas até hoje nunca tive resposta alguma.

 

Bem, depois de algum tempo um amigo que esteve em minha casa vendo o pombo, me informou que conhecia pelo menos duas pessoas que criavam pombos-correio na cidade e ficou de fazer o contato com eles, e a partir deles consegui os primeiros casais para iniciar minha criação, o problema agora era conseguir anilhas, fui em todas as casas de aves que conhecia mas nenhuma tinha anilhas para pombos, até que finalmente quando já perdia as esperanças, em uma loja de canários, o dono me informou que seu irmão participava de uma associação que dispunha de anilhas, que havia competição e tudo, fundada a pouco mais de dois anos, deixei meus contatos e não demorou muito fui procurado por alguns sócios, como o campeonato daquele ano já havia terminado eu passei meses só ouvindo as estórias, antes que pudesse finalmente ter contato com um campeonato ao vivo, mas essa é uma outra história que vou continuar em um outro artigo!.

 
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