Probióticos e Prebióticos

15 abr, 2015 por

Probióticos e Prebióticos

O que são probióticos e prebióticos? Apesar de serem nomes bastante pronunciados quando falamos em dietas alimentares, a maioria das pessoas não sabem exatamente o que significam estes termos, e ainda hoje existem prós e contras na utilização tanto de probióticos quanto de prebióticos na alimentação dos pombos, o que acaba gerando muita controvérsia.

 

Vamos. começar falando então pelo que eles NÃO SÃO.

 

Eles não são classificados como medicamentos, eles são complementos alimentares. Também como uma boa parte dos prebióticos utilizados no suplemento para aves, são produtos sintéticos industrializados, também esta parte deles não pode ser considerada como produto natural, com exceção dos probióticos e de alguns prebióticos.

 

Então, se os probióticos e prebióticos não são remédio, o que eles são afinal?

 

Probióticos são organismos vivos, bactérias e fungos, que administrados em quantidades adequadas, podem produzir benefícios à saúde do hospedeiro! Então alguém poderia dizer. _Ué!! Péra aí!! Mas eu sempre ouvi dizer que bactérias e outros microrganismos causavam doenças em nós e nos animais e não o contrário. Então eu diria que em parte isto está certo, porém não são todas as bactérias e microrganismos que podem provocar doenças. Na verdade a maioria deles não fazem nada, não são bons nem maus e vivem como comensais dentro do hospedeiro, mas além daqueles que podem provocar doenças, os quais chamamos patogênicos, e aí estão incluídos além das bactérias, os fungos, os vírus e os protozoários, existem entre eles os que chamamos de probióticos, que são de alguma forma benéficos ao organismo onde estão instalados, traduzindo literalmente a palavra, podemos dizer que probióticos são promotores da vida.

 

Quanto aos prebióticos, são nada menos que ingredientes nutricionais que não são digeridos pelo hospedeiro, que o afetam beneficamente, estimulando tanto o crescimento quanto a atividade de uma ou mais bactérias benéficas do sistema digestivo, melhorando a saúde do seu hospedeiro. Na sua maioria são proteínas e carboidratos, adicionados de sais minerais e vitaminas, ou seja, prebióticos são o alimento dos probióticos e não dos pombos.

 

Para que vocês não se percam nas explicações, vamos chamar de bactérias patogênicas as que transmitem doenças e as bactérias boas de probióticos, os hospedeiros neste caso são nossos pombos certo?

 

Tudo bem eu já entendi o que são os probióticos e os prebióticos, mas como é que eles podem ajudar a melhorar a saúde dos nossos pombos?

 

Bem acredito que você já tenha ouvido aquela estória de que “dois corpos não ocupam o mesmo espaço”, pois então, existe um limite de microrganismos que podem habitar o sistema digestivo dos pombos, se o espaço já está ocupado por probióticos, as bactérias patogênicas não vão encontrar espaço para se criar, entendeu?

 

Para entender melhor como funciona esta disputa podemos comparar as bactérias com cães, da raça pitbull por exemplo (poderia ser outra), digamos que você tenha dois cães idênticos desta raça, um amarelo e outro branco, e você vai colocar os dois para brigar, (o que eu não recomendo, rsrsrs) o amarelo come qualquer coisa que você der a ele, menos ração, já o branco só come ração, digamos que o amarelo representa as bactérias más, que são patogênicas, e o branco as bactérias boas, que são os probióticos, então qual cachorro vai ganhar a luta? Aquele que você der comida!!! Se você alimentar os cães apenas com ração, você já sabem quem vai ganhar esta luta. Então ofereça prebióticos aos probióticos instalados nos seus pombos que eles irão ganhar a luta.

 

Alguns probióticos se aderem a mucosa intestinal porém esta adesão não acontece com a maioria deles, por este motivo se faz necessária uma aplicação permanente, ou de forma continuada destes probióticos, pois o seu modo de vida em suspenção não garante a sua permanência no intestino por períodos prolongados.

 

Quando criança me lembro de um criador de periquitos que oferecia miolo de pão umedecido com leite para os casais que estavam criando, ele dizia que era bom para os filhotes, e que os filhotes alimentados desta maneira cresciam mais fortes e saudáveis, além de diminuir a mortandade dos filhotes. Bom uma das primeiras coisas que aprendi sobre as aves é que, como elas não são mamíferos, o leite não faz parte da sua nutrição pois o sistema digestivo das aves não é capaz de digerir lactose, então não poderia fazer o menor sentido o fato que tinha presenciado quando criança, mesmo as vezes que tentei administrar leite na criação de algumas aves o máximo que consegui foi desenvolver nelas uma boa diarreia, que em alguns casos levaram a morte.

 

Levei anos até descobrir que apesar de as aves não terem enzimas para digerir a lactose, a lactose é alimento essencial para probióticos que vivem no lúmem dos intestinos das aves. Os probióticos neste caso são os lactobacilos, que produzem peróxido de hidrogênio, substância inibidora principalmente da Escherichia coli e da salmonela, reduzindo a colonização destes patógenos. A sua administração em concentrações pequenas é sim extremamente benéfica para a saúde dos nossos pombos, neste caso o segredo estava na quantidade de lactose que deve ser bastante reduzida, afinal a lactose não é para alimentar a ave, mas sim um outro pequeno organismo que sobrevive dentro dela e que irá disputar o espaço com outros organismos. O leite quando ingerido pelas aves permanece um tempo no papo onde entra em processo de fermentação, proporcionando o crescimento de lactobacilos (Atenção, eu não realizei testes para definir a quantidade ideal de leite que deve ser administrada para uma melhor eficácia testa técnica). Uma vantagem dos lactobacilos, no caso o da espécie L. plantarum, é que ele se adere a mucosa do intestino e uma vez aplicado, não há a necessidade de novas aplicações, a não ser após a utilização de algum antibiótico.

 

Uma dica importante! Quando for usar antibióticos, suspenda o uso de probióticos, preferencialmente alguns dias antes de começar o tratamento. Os antibióticos não fazem distinção entre os organismos patogênicos e os probióticos, ele irá eliminar todos, assim a presença de probióticos pode reduzir a eficácia do antibiótico. Volte a administrar os probióticos dois dias depois de ter concluído a utilização de antibióticos, garantindo assim que os primeiros organismos a colonizar novamente o sistema digestivo dos nossos pombos sejam probióticos, garantindo também a eficácia do medicamento.

 

Probióticos oferecidos aos casais que estão alimentando seus borrachos podem conferir um aumento da capacidade imunológica dos filhotes, pois podem funcionar como atenuadores de patógenos, ou seja eles matam ou enfraquecem aqueles micróbios que poderiam causar uma grave infecção nos filhotes, com isso o sistema imunológico pode capturar com mais facilidade estes agentes infecciosos, produzindo uma defesa mais eficiente para o organismo da ave.

 

Sabe-se também que frutoligossacarídeos têm demonstrado excelentes efeitos prebióticos, servindo como alimento exclusivamente para algumas espécies de Lactobacillus e Bifidobacterium e, desta maneira, reduzindo a quantidade de outras bactérias como Bacteroides, Clostridium e coliformes. A arabinose, a galactose, a manose e, principalmente, a lactose, são outros carboidratos utilizados como prebiótico em aves que tem surtido bons resultados.

 

Sendo assim o uso de probióticos pode reduzir drasticamente o uso de medicamentos, principalmente o de antibióticos, reduzindo os efeitos colaterais e/ou intoxicações que podem ser produzidos pelo seu uso excessivo ou continuado destes remédios.

 

Bem, por hoje é só, espero que este artigo possa te esclarecer um pouco mais sobre o mundo dos probióticos.

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