Imunidade Parte 1

16 fev, 2015 por

Imunidade Parte 1

Uma das primeiras coisas que me perguntam quando falo de pombos de corrida, no meio de outros criadores, invariavelmente é: “Quais remédios você dá aos seus pombos?”, ou então “Quais preventivos você aplica nos seus pombos antes das corridas?” Como se os pombos ficassem constantemente doentes, ou precisassem de medicamentos o tempo todo. Gente… vamos devagar, os remédios são importantes sim e muito bem vindos. Quando corretamente aplicados podem salvar nossos pombos, isso quando não ajudam a sustentar o primeiro lugar em um campeonato, mas remédio é para quando o pombo for diagnosticado “DOENTE” e não para ficar aplicando o tempo todo, só porque o rendimento caiu um pouquinho.

 

Se eu pudesse não aplicaria nenhum remédio aos meus pombos dia nenhum, os remédios curam sim, mas aplicados continuamente, ou de forma inadequada, podem afetar a moela, o fígado e os rins das nossas aves, e até mesmo deixar de ser eficazes contra a enfermidade contra a qual está sendo usado, isso sem falar em todos os males que uma intoxicação por medicamentos pode causar em uma colônia de pombos-correio.

 

Mas antes de se falar em remédios considero importante saber contra quem estamos lidando e como reage o organismo de nossos pombos, para então sim buscar uma forma eficiente para eliminar o problema definitivamente, ao invés de cuidar eternamente dos efeitos causados por eles.

 

O pombo-correio tem um dos sistemas imunes mais eficientes entre os vertebrados, e assim como a maioria das aves, uma capacidade de regeneração bem mais rápida que mamíferos, répteis ou anfíbios, graças ao seu metabolismo mais acelerado.

 

Um pombo pode ter um osso calcificado até duas semanas após a fratura, no caso dos seres humanos, são necessárias quatro semanas, no mínimo, para uma calcificação simples.

 

Então, vamos falar um pouco sobre a capacidade imune dos nossos atletas? Ou seja da sua capacidade própria de se recuperar de uma enfermidade?

 

São vários os elementos envolvidos neste sistema: eritrócitos, basófilos, eosinófilos, monócitos, fagócitos, linfócitos, neutrófilos, macrófagos, granulócitos, mastócitos, antígenos, anticorpos, etc. calma… calma… se eu fosse aqui dar uma aula sobre imunologia, iria falar um caminhão de coisas que a maioria não ia entender nada, mas tem alguns pontos básicos que eu posso tratar aqui que será de entendimento de todos ok.

 

Nos vertebrados superiores, onde estamos incluídos nós, os seres humanos e os nossos pombinhos, existem dois tipos de sistema imune: o SISTEMA IMUNE INATO e o SISTEMA IMUNE ADAPTATIVO, estes dois sistemas a gente precisa conhecer para entender como funcionam as defesas do organismo dos nossos pombos-correio, certo? Então vamos lá.

 

IMUNIDADE INATA
Ela pode ter como sinônimos imunidade natural ou mesmo imunidade não específica, ela é o conjunto de barreiras naturais e de elementos celulares e moleculares que já estão estabelecidos ou que passam a compor os mecanismos da resposta imune, ou seja ela já vem pronta de fábrica. Quando um borracho nasce, já herdou de seus pais este sistema de defesa, que é a primeira linha de defesa a entrar em ação quando o organismo é invadido por algum corpo estranho.

 

Ela está pronta para atuar em questão de minutos após uma infecção, porém, apesar de muito eficiente, principalmente em casos mais brandos de infecção, ela é totalmente incapaz de identificar o corpo estranho que está invadindo, se é um vírus, uma bactéria ou um protozoário, mas irá ataca-lo estando ou não preparada para enfrenta-lo.

 

Se a invasão for por um número muito grande de agentes infecciosos, ou se esses invasores forem muito mais fortes que o sistema de defesa inato, eles não irão resistir por muito tempo, eles avançam contra o invasor mas o máximo que conseguem fazer é atrasar a sua infestação, e o animal então ficará doente, seria como pensar que o sistema de defesa do organismo, fossem como os índios norte-americanos, armados apenas com arco e flecha, enfrentando as armas de fogo do exército, eles podem resistir por um tempo mas acabam sendo dizimados.

 

Porém este é o tempo necessário para que o sistema imune adaptativo consiga reconhecer o inimigo e comece a fabricar uma arma específica que irá eliminar definitivamente o invasor.

 

IMUNIDADE ADAPTATIVA
Ela pode ter como sinônimos imunidade adquirida, imunidade específica, ou podemos comparar também com um exército altamente especializado, equipado com o que há de mais avançado em tecnologia. Esta imunidade, como o próprio nome diz, não vem pronta de fábrica, ela precisa ser produzida depois que o filhote nasce, e depois de adquiri-las, ficarão no seu corpo para sempre, mas não irá passar para seus filhos.

Anticorpos

Imagem: AJ Cann

 

Este sistema de defesa também começa a agir logo após a invasão, porém a sua resposta ao inimigo pode levar dias para começar, isso por que primeiro ele vai tentar reconhecer o inimigo, ele então captura alguns invasores, analisa, detecta seu ponto fraco e envia esta informação para o comando central que baseados nelas começa imediatamente a fabricar um exército de clones de supersoldados, altamente capacitados para destruir o invasor, só que até este exército começar a agir já terão se passado entre cinco a dez dias e se a infecção foi muito forte, já poderá ter comprometido boa parte do funcionamento do organismo, pois eles usam a própria maquinaria do organismo para se reproduzir, aumentando ainda mais a sua população.

 

Então para evitar um mal maior, o alto comando determina o aumento da temperatura do organismo, provocando a febre, isso irá dificultar que os invasores se utilizem dos recursos do hospedeiro para se reproduzir e irá acelerar a produção e a eficiência dos supersoldados para destruí-los.

 

Se por acaso o agente invasor for identificado como um vírus o alto comando também irá determinar a redução da atividade metabólica. Como o vírus para se reproduzir se utiliza do sistema de duplicação do DNA do hospedeiro para duplicar seu próprio DNA e assim se multiplicar, ele fica sem conseguir se reproduzir, seria como se em uma fábrica todos os operários cruzassem os braços e mantivessem apenas os serviços essenciais funcionando. É por isso que ficamos com aquela fraqueza e sem vontade de comer quando pegamos uma virose, se os operários não trabalham, não precisam de matéria prima, ou seja, no nosso caso, alimento. Esta estratégia é fundamental para a sobrevivência do pombo.

 

Além do mais quando este mesmo tipo de invasor tentar infectar novamente o mesmo pombo, os supersoldados já estarão de sentinela, prontos para agir, é por isso que muitas doenças como sarampo, caxumba, catapora e outras nos atingem uma única vez, por isso é de extrema importância que nossos pombos adquiram esta forma de defesa o quanto antes, concorda?

 

Bom, o assunto já ficou um pouco extenso, não é mesmo? Então veja aqui a continuação deste assunto. Em breve, noutra oportunidade voltamos para falar sobre como ajudar, através de vacinas e outros meios, que os nossos atletas adquiram esta imunidade adaptativa ok.

 

Muitos dos processos não acontecem da maneira que foi descrito aqui, porém esta é uma forma ilustrativa de descrever o que acontece dentro do organismo de nossos pombos quando alguma infecção tenta se manifestar neles.

 
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6 Comments

  1. Jadson Cavalcante

    Muito Bom, não pare de posta não amigo abraços!!

  2. Marcio Coelho

    Obrigado Jadson, Enquanto Deus permitir estarei aqui. Abraços!

  3. wiliam

    bom dia. .estou aprendendo muito com o senhor..2016 vai ser meu primeiro ano na sociedade columbofilia d Divinopolis mg…estou seguindo a risca..as sua intruçoes..muito obrigado por tudo..

  4. Marcio Coelho

    Muito obrigado Wiliam, Boa sorte na sua empreitada, estamos agora no período da muda e é muito importante ter atenção com a circulação de ar no pombal, ainda não escrevi nenhum artigo sobre isso, mas espero fazer isso em breve.

  5. Milton

    Muito bom Márcio !! Tou sendo passando por aqui pra ler seus artigos.

  6. Marcio Coelho

    Obrigado Milton! Fique à vontade!

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